sábado, 13 de abril de 2013

AVALIAÇÃO DO RISCO CARDIOVASCULAR PELA DOSAGEM DA PROTEÍNA C REATIVA NO SANGUE






Esta é uma versão simplificada do artigo PARA QUE SERVE O EXAME PROTEÍNA C REATIVA - PARTE 2 - PROTEÍNA C REATIVA E RISCO CARDIOVASCULAR, que pode ser acessado no blog REUMATISMO NO BRASIL - UM PROBLEMA DE COMUNICAÇÃO.

A presente versão está dividida em 11 tópicos curtos e simples, para facilitar a leitura e a compreensão, sendo destinada a quem tiver dificuldades para entender o artigo original,  que é mais extenso e completo.

Os 11 tópicos, que preferencialmente devem ser lidos em sequência mas também podem ser acessados separadamente, são:

1) Risco cardiovascular

2) Proteína C reativa como indicadora de inflamação

3) Proteína C reativa como indicadora de inflamação na parede dos vasos sanguíneos

4) Avaliação do risco cardiovascular usando a proteína C reativa

5) Proteína C reativa como indicadora de doenças inflamatórias

6) Proteína C reativa no diagnóstico de doenças inflamatórias

7) Problemas práticos criados pelo uso da proteína C reativa para avaliar o risco cardiovascular

8) Vou ter um infarto ou AVC porque a proteína C reativa indica risco cardiovascular alto?

9) Se a proteína C reativa indica risco cardiovascular alto, tenho alguma doença causando inflamação?

10) O que posso fazer para baixar o valor da proteína C reativa e diminuir o risco cardiovascular?

11) O uso de anti-inflamatórios diminui o nível de proteína C reativa em quem tem risco cardiovascular alto?
 

VEJA A SEGUIR O QUE É  RISCO CARDIOVASCULAR





1) RISCO CARDIOVASCULAR





Risco cardiovascular é o risco de alguém ter uma oclusão de artéria, principalmente do coração ou do cérebro.
A oclusão de uma artéria do coração causa infarto e, do cérebro, acidente vascular cerebral (AVC).

Risco é um conceito estatístico que orienta o médico para adotar medidas preventivas para diminuí-lo. Para a maioria das pessoas, entretanto, risco é algo para ser temido porque causa danos imediatos, o que não é verdade.

O risco cardiovascular sempre foi avaliado através dos "fatores de risco tradicionais", como hipertensão arterial, diabete, obesidade, tabagismo, sedentarismo, stress, colesterol elevado e história familiar de infarto ou AVC. Quem apresenta os fatores de risco, tem risco cardiovascular aumentado e, quanto mais fatores de risco estão presentes, maior é o risco.

Recentemente, a descoberta de que níveis pouco aumentados de proteína C reativa são um fator de risco cardiovascular independente dos fatores tradicionais trouxe luz sobre os mecanismos que levam à oclusão arterial no infarto e no AVC, mas também confusão sobre a maneira como a proteína C reativa deve ser usada para avaliar o risco.


A SEGUIR, PROTEÍNA C REATIVA COMO INDICADORA DE INFLAMAÇÃO 




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2) PROTEÍNA C REATIVA COMO INDICADORA DE INFLAMAÇÃO






Proteína C reativa é considerada uma proteína de fase aguda porque aumenta no sangue quando o organismo ativa a reação de fase aguda, uma reação de defesa desencadeada pela morte não natural de células (leia O SIGNIFICADO CIENTÍFICO DO AUMENTO DA PROTEÍNA C REATIVA)

Quando ocorre morte não natural de células, começa também a inflamação dos locais onde ocorreram as lesões e as mortes das células.

Enquanto a inflamação das partes do corpo em que ocorre morte de células é uma reação restrita aos locais onde ocorreram ou estão ocorrendo as lesões, a reação de fase aguda repercute por todo o organismo, causando febre, mal-estar, fraqueza, cansaço, dores no corpo e outros sintomas.

Sempre que ocorre a reação de fase aguda também há inflamação em alguma parte do corpo, por isso a proteína C reativa que aumenta quando a reação de fase aguda é ativada também aumenta quando há inflamação.

Para a avaliação do risco cardiovascular, o local de inflamação que importa é a parede dos vasos sanguíneos.


A SEGUIR, LEIA SOBRE PROTEÍNA C REATIVA AUMENTADA COMO INDICADORA DE INFLAMAÇÃO NA PAREDE DOS VASOS SANGUÍNEOS






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3) PROTEÍNA C REATIVA COMO INDICADORA DE INFLAMAÇÃO NA PAREDE DOS VASOS SANGUÍNEOS





O processo de deposição de colesterol e gorduras na parede das artérias - chamado de aterosclerose - é conhecido há muito tempo, mas apenas recentemente foi descoberto que há inflamação nos locais onde a gordura é depositada.

A inflamação da parede das artérias com aterosclerose é de baixa intensidade, por isso resulta em pequenas elevações da proteína C reativa, que só podem ser detectadas pelo método ULTRA-SENSÍVEL.

O risco cardiovascular para pessoas que, mesmo sem sintomas, apresentam pequenas elevações da proteína C reativa dosada pelo método ULTRA-SENSÍVEL, foi identificado através de estudos estatísticos.


LEIA A SEGUIR DE QUE MANEIRA FOI DESCOBERTO O RISCO CARDIOVASCULAR ASSOCIADO À PROTEÍNA C REATIVA





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4) AVALIAÇÃO DO RISCO CARDIOVASCULAR USANDO A PROTEÍNA C REATIVA ULTRA-SENSÍVEL





Os estudos estatísticos que identificaram o risco cardiovascular foram feitos registrando o número de infartos e AVCs em pessoas com elevações da proteína C reativa, monitoradas por um determinado período de tempo.

Os resultados observados permitiram desenvolver a seguinte tabela para avaliação do risco cardiovascular:

RISCO ALTO:  MAIOR DO QUE 3 mg/l (ou 0,3 mg/dl)

RISCO MÉDIO: de 1 a 3 mg/l (ou de 0,1 a 0,3 mg/dl)

RISCO BAIXO: MENOR DO QUE 1 mg/l (ou 0,1 mg/dl)

Note que o valor muda se o resultado é expresso em miligramas por litro (mg/l) ou em miligramas por decilitro (mg/dl) porque
1 decilitro (dl) é dez vezes menor do que 1 litro (l), por isso o número de miligramas em 1 dl é dez vezes menor do que em 1 l.

Através dessa tabela, o risco cardiovascular é avaliado diretamente, bastando verificar em que faixa se encontra o resultado da pessoa que está sendo avaliada.

A avaliação do risco cardiovascular através da proteína C reativa não leva em consideração se há outros fatores de risco associados nem se a pessoa apresenta algum sintoma de doença. A avaliação é feita exclusivamente pela posição do resultado do exame na tabela de risco cardiovascular.

Assim, estatisticamente, proteína C reativa, dosada pelo método ultra-sensível, acima de 3mg/l (ou 0,3mg/dl) significa risco cardiovascular alto para a ocorrência de oclusão arterial, que pode resultar em infarto do coração ou AVC.

Há apenas uma exceção: Se houver uma doença que cause inflamação em qualquer parte do corpo, a proteína C reativa não deve ser usada para avaliar o risco cardiovascular porque doenças que causam inflamação produzem inflamação mais intensa do que a da parede das artérias que resulta em risco cardiovascular alto e elevam a proteína C reativa acima de 5mg/l (ou 0,5 mg/dl).


VEJA A SEGUIR DETALHES SOBRE O AUMENTO DA PROTEÍNA C REATIVA NAS DOENÇAS INFLAMATÓRIAS





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5) PROTEÍNA C REATIVA COMO INDICADORA DE DOENÇAS INFLAMATÓRIAS





O estímulo para o aparecimento de inflamação em algum local é a morte não natural de células nesse local.

A morte não natural de células pode ser causada por infecções, infartos, traumatismos, ferimentos, queimaduras e outros estímulos que destroem células. Em todas essas situações ocorre inflamação nos locais afetados.

Existe um grupo de doenças em que o motivo para o aparecimento da inflamação em uma parte do corpo é desconhecido, ou seja, não se identifica nenhum estímulo inicial que mate células e dê início à inflamação, mas ela ocorre mesmo assim.
Não haver um estímulo conhecido não significa que tal estímulo não exista; significa apenas que não sabemos qual é o estímulo.
As doenças caracterizadas por inflamação mas nas quais não há um estímulo conhecido que a inicie são chamadas de doenças inflamatórias; as doenças autoimunes incluem-se nesse grupo.

Não importa qual a causa da morte não natural das células mas, se ocorrer, haverá inflamação e a proteína C reativa poderá aumentar - nem sempre aumenta, mas não é importante saber os motivos disso agora.


VEJA A SEGUIR O SIGNIFICADO DA PROTEÍNA C REATIVA AUMENTADA NO DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS INFLAMATÓRIAS




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6) PROTEÍNA C REATIVA NO DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS INFLAMATÓRIAS





Doenças inflamatórias produzem sintomas e sinais de doença e são diagnosticadas através dos sintomas e dos sinais que produzem, não através da elevação da proteína C reativa. (Sintoma é o que as pessoas sentem; sinais, o que o médico encontra ao exame físico e dos quais, muitas vezes, o doente não está ciente da existência).

Quando há uma doença inflamatória, há sintomas e sinais da doença e por isso espera-se que a proteína C reativa aumente no sangue. Isso não significa que, em pessoas SEM sintomas ou sinais de doenças inflamatórias, proteína C reativa aumentada revele a existência de uma dessas doenças.

Em quem tem sintomas, o método mais eficaz para identificar a causa da elevação é a consulta médica pois as informações mais importantes para o diagnóstico são fornecidas pela história do doente e pelo exame físico feito pelo médico.

Se os sintomas forem dor no corpo, nas articulações, nos ossos, nos músculos ou na coluna, o especialista indicado para investigar a causa da elevação da proteína C reativa é o reumatologista (leia PARA NÃO CONSULTAR UM REUMATOLOGISTA).

A causa da elevação da proteína C reativa em quem não tem sintomas ou sinais de doença não pode ser esclarecida com certeza. 


VEJA A SEGUIR AS PRINCIPAIS DÚVIDAS DE QUEM TEM RISCO CARDIOVASCULAR ELEVADO QUANDO AVALIADO PELA PROTEÍNA C REATIVA




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7) PROBLEMAS PRÁTICOS CRIADOS PELO USO DA PROTEÍNA C REATIVA PARA AVALIAR O RISCO CARDIOVASCULAR





Quem descobre ter risco cardiovascular alto através da proteína C reativa costuma ter as seguintes dúvidas:

1) Vou ter um infarto ou AVC?

2) Tenho alguma doença causando a inflamação?

3) O que posso fazer para baixar o valor da proteína C reativa e diminuir o risco cardiovascular?

4) O uso de anti-inflamatórios diminui o nível de proteína C reativa em quem tem risco cardiovascular alto?


VEJA AS RESPOSTAS A CADA UMA DESSAS PERGUNTAS NAS PÁGINAS SEGUINTES



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8) VOU TER UM INFARTO OU AVC PORQUE A PROTEÍNA C REATIVA INDICA RISCO CARDIOVASCULAR ALTO?






Não há como saber.

Todos corremos riscos no dia a dia, como o risco de ser atropelado, de ser assaltado, de sofrer um acidente de carro, etc. Apesar do risco alto de que tais eventos ocorram em nossas vidas, nem todas as pessoas são atingidas.

Risco cardiovascular alto significa apenas que, em um grupo de pessoas com risco alto ocorrem mais infartos e AVCs do que em um grupo de pessoas com risco cardiovascular médio ou baixo mas, quando se avalia um novo grupo semelhante, não há como saber quais das pessoas que apresentam risco alto serão atingidas.

A verdade sobre os estudos estatísticos que mostraram risco cardiovascular alto é que a maioria das pessoas monitoradas não sofreu nem infarto nem AVC, apenas o número total desses eventos foi maior nesse grupo do que nos grupos de risco médio ou baixo. É importante notar que, embora em menor número, também ocorreram infartos e AVCs em pessoas com risco médio ou baixo. 
E é mais importante notar que, em todos os grupos, a maioria das pessoas não sofreu nem infarto nem AVC.

Preocupação excessiva com risco cardiovascular alto é uma doença psiquiátrica, assim como não sair de casa por medo de ser atropelado ou assaltado também é.

Para viver, precisamos correr riscos...

A informação sobre o risco cardiovascular obtida através da dosagem da proteína C reativa deve ser usada pelo médico para prevenir eventos.

Saber que o risco cardiovascular é alto deve ser um estímulo para a pessoa aderir à prevenção e não deveria se tornar um pesadelo para ninguém.


VEJA A SEGUIR COMO SABER SE HÁ ALGUMA DOENÇA CAUSANDO O AUMENTO DA PROTEÍNA C REATIVA





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9) SE A PROTEÍNA C REATIVA INDICA RISCO CARDIOVASULAR ALTO, TENHO ALGUMA DOENÇA CAUSANDO A INFLAMAÇÃO?





A resposta depende dos sintomas e sinais da doença (leia PROTEÍNA C REATIVA NO DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS INFLAMATÓRIAS).

Doenças que causam inflamação causam sintomas e sinais e são reconhecidas pelos sintomas e sinais que produzem.

Se não há sintomas nem sinais, não há como identificar qualquer doença como causa da inflamação.

Por outro lado, se uma doença que causa inflamação puder ser identificada, o risco cardiovascular não pode ser avaliado através da dosagem da proteína C reativa, qualquer que seja o resultado do exame.


VEJA A SEGUIR COMO DIMINUIR O RISCO CARDIOVASCULAR ASSOCIADO COM PROTEÍNA C REATIVA AUMENTADA




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10) O QUE POSSO FAZER PARA BAIXAR O VALOR DA PROTEÍNA C REATIVA E DIMINUIR O RISCO CARDIOVASCULAR?





Os estudos que descreveram o risco cardiovascular pela elevação da proteína C reativa ultra-sensível sugeriram que a diminuição dos níveis de colesterol através de certos medicamentos poderia diminuir a inflamação na parede das artérias, diminuindo o nível de proteína C reativa e o risco cardiovascular.

A suposição, entretanto, é controversa pois não se sabe ao certo se isso realmente ocorre.

De qualquer forma, controlar os níveis de colesterol é uma medida preventiva de infarto e AVC recomendada sempre, qualquer que seja o nível da proteína C reativa.

O risco cardiovascular pode ser diminuído através de medidas preventivas orientadas por um cardiologista.


VEJA A SEGUIR UMA SURPRESA A RESPEITO DO USO DE ANTI-INFLAMATÓRIOS EM QUEM TEM RISCO CARDIOVASCULAR AUMENTADO




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11) O USO DE ANTI-INFLAMATÓRIOS DIMINUI O NÍVEL DE PROTEÍNA C REATIVA EM QUEM TEM RISCO CARDIOVASCULAR ALTO?





Não.

Ao contrário do que a palavra "anti-inflamatório" sugere, o uso desses medicamentos aumenta mais o risco cardiovascular e, de fato, o uso de anti-inflamatórios em quem tem risco cardiovascular alto, deveria ser feito somente após cuidadosa avaliação do risco existente e do benefício esperado do medicamento.

Pensar que "anti-inflamatórios" combatem a "inflamação" e por isso diminuem a proteína C reativa é um raciocínio mitológico baseado apenas na semelhança entre as palavras "inflamação" e
"anti-inflamatórios", supondo que, por serem "anti-inflamatórios", esses medicamentos devem combater e eliminar a inflamação. Entretanto, essa lógica existe apenas no significado literal das palavras.

Na prática, apesar do significado das palavras sugerir o contrário, o uso de anti-inflamatórios por qualquer motivo aumenta o risco cardiovascular (leia PARA QUE SERVE O EXAME PROTEÍNA C REATIVA - PARTE 2).




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